sexta-feira, 5 de outubro de 2012


O que Marta deve fazer no Ministério da Cultura


Por: Felipe AtxaIndiqueImprimir
Marta Suplicy pode superar a gestão de Ana de Hollanda se conseguir fazer ainda menos do que a antecessora.

Vamos fingir que Ana de Hollanda caiu não pelo arranjo eleitoral feito em SP, mas porque sua gestão à frente do MinC foi enfadonha. Acusada de imobilismo ou de ter “feito pouco”, Hollanda foi sensacional. E a única maneira de ser superada por Marta Suplicy é com esta última não fazendo coisa alguma.

Se por acaso não fizer nada, Marta obrigará imediatamente os “artistas” dependentes de verbas públicas do Ministério a ter ideias novas a respeito do que fazer. Tais ideias novas inevitavelmente se converterão em novas maneiras de produzir obras artísticas em todos os segmentos. O joio também será separado do trigo: ideias péssimas (que seriam realizadas quase que acidentalmente pela fartura em subsídio estatal disponível) serão abandonadas, “artistas” preguiçosos ou titubeantes quanto a sua própria arte desistirão da carreira, abrindo espaço para artistas mais novos, mais resilientes ou mais talentosos. Medalhões voltarão para casa, desistindo de empregar cônjuges, filhos e amancebados em seus novos “projetos culturais”. Sem dinheiro para as artes, as artes magicamente começam a florescer.

Na miséria, artistas despertam a atenção de mecenas voluntários, que passam então a usar seu próprio dinheiro para financiar os artistas mais interessantes que despertam a atenção das pessoas sem o auxílio do aparato público da cultura que cria e estimula demandas artificiais por uma cultura artificial pela qual ninguém se interessaria em condições normais. Os melhores artistas, ou os mais trabalhadores, começam a ganhar dinheiro pelo seu próprio trabalho. Todos os outros podem também se aprimorar ao perder menos tempo fazendo “networking” em busca de verbas públicas ou trafegando pelos nove círculos do inferno burocrático de formulários e planilhas (tudo para merecer sua parte do “financiamento público da cultura”).

Bibliotecas sucateadas empurram leitores ávidos para a Internet e para a troca de livros entre si. Sebos comemoram, livrarias disparam vendas. A grande procura por livros faz com que mais empreendedores dediquem-se ao setor, quando os preços dos livros (sempre altos demais, e talvez ainda mais quando as bibliotecas públicas fecharem) finalmente caem por causa da concorrência (agora) acirrada.

Filmes ruins e caros dão lugar a filmes ruins (e bons), caros (e baratos), mas todos feitos com dinheiro privado. No mercado, os melhores começam a vencer – não mais os que detêm verbas públicas para lançar e divulgar seus abacaxis. O sucesso dos filmes ruins (mas populares) estimula a concorrência e abre espaço para que filmes mais “artísticos” também sejam produzidos (ainda que possam dar prejuízo no final). Livres da bênção maldita do Leviatã, outras artes também prosperam (e aquelas que apenas sobreviveriam via “respiração artificial estatal” cedem lugar a novas manifestações, mais sintonizadas com o espirito da época e com o gosto das pessoas).

cabidão de empregos em que se transformou o “aparato cultural” do governo se desfaz de uma hora para outra: a sociedade economiza e novas vocações são obrigatoriamente despertadas em antigos burocratas da cultura oficial (momentaneamente desempregados como pessoas comuns). Os bilhões do orçamento do MinC são devolvidos aos verdadeiros donos (os contribuintes brasileiros) que agora podem fazer deles o que bem entenderem: até mesmo investir em cultura, patrocinar ou consumir artes e artistas brasileiros.

Quando o lápis cai no chão, contudo, percebo que estou sonhando acordado... Leio na Internet que, antes mesmo de assumir seu novo cargo, Marta Suplicy já conseguiu aprovar uma tal de PEC da Cultura – aquela que institui o “Sistema Nacional de Cultura” (http://g1.globo.com/politica/noticia/2012/09/pedido-de-marta-suplicy-senadores-aprovam-pec-da-cultura.html).

“Sistema de cultura”? O que vem a ser tal coisa? É um software?

O sonho acabou: Marta Suplicy jamais superará Ana de Hollanda.

Fonte: http://midiaamais.com.br/artigo/detalhes/2273/


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